<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Substack de Filipe]]></title><description><![CDATA[O meu Substack pessoal]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg</url><title>Substack de Filipe</title><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 30 Jun 2026 06:43:45 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[filipecampeloxavierdacosta@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[filipecampeloxavierdacosta@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[filipecampeloxavierdacosta@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[filipecampeloxavierdacosta@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Pertencimento - por que valorizamos tanto em determinadas situacoes?]]></title><description><![CDATA[Nunca se falou tanto sobre um orgulho de ser brasileiro e latino como nesse moemento.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/pertencimento-por-que-valorizamos</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/pertencimento-por-que-valorizamos</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Feb 2026 23:09:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nunca se falou tanto sobre um orgulho de ser brasileiro e latino como nesse moemento. Eventos como torcida de filmes brasileiros no Oscar, valorizacao do pais entre artistas e midia estrangeira nos faz pensar que ser brasileiro &#233; motivo de orgulho, nao de vergonha. Em uma esfera um pouco mais ampla, ser latino virou especial, principalmente ao boom de artistas&nbsp; associados aa musica, como o sucesso estrondoso do porto-riquenho Bad Bunny, musico mais ouvido em 2025 e sua impactante apresentacao no Super Bowl, a maior audiencia da tv americana.&nbsp;</p><p>Por que, em determinadas situacoes, esquecemos nossa sindrome de vira-lata e amamos nossa origem? Por que pertencer &#233; tao importante?</p><p>Porque pertencimento funciona como uma esp&#233;cie de &#8220;tomada emocional&#8221; coletiva: quando o mundo acende um holofote sobre algo que &#233; nosso, a energia simb&#243;lica encontra onde se ligar. E ent&#227;o o que antes era cotidiano vira ins&#237;gnia.</p><p>Identidade nacional raramente &#233; um estado permanente. Ela pulsa. Em tempos ordin&#225;rios, o brasileiro convive com narrativas de car&#234;ncia, crise e compara&#231;&#227;o desfavor&#225;vel. Mas em momentos de reconhecimento externo ou de celebra&#231;&#227;o massiva, ocorre uma invers&#227;o de val&#234;ncia afetiva: o que era banal torna-se emblema, o que era motivo de autocr&#237;tica vira mat&#233;ria-prima de orgulho. O pertencimento emerge quando a experi&#234;ncia individual encontra uma hist&#243;ria coletiva que a valida.</p><p>H&#225; tamb&#233;m um mecanismo de espelhamento. Quando o Oscar aplaude um filme brasileiro ou quando Bad Bunny ocupa o centro do espet&#225;culo mais assistido dos Estados Unidos, n&#227;o estamos apenas vendo &#8220;eles&#8221; reconhecerem &#8220;n&#243;s&#8221;. Estamos assistindo a uma reorganiza&#231;&#227;o simb&#243;lica do mapa cultural, na qual o Sul deixa de ser periferia e passa a ser fonte. Esse deslocamento produz um efeito psicol&#243;gico potente: reduz a dist&#226;ncia entre quem somos e quem gostar&#237;amos de ser. A identidade se alinha com o desejo.</p><p>Do ponto de vista do consumo simb&#243;lico, esses momentos funcionam como rituais de intensifica&#231;&#227;o. Consumimos m&#250;sicas, filmes, memes e discursos como quem veste uma camisa invis&#237;vel. N&#227;o &#233; s&#243; entretenimento, &#233; inscri&#231;&#227;o social. No campo do design emocional, isso aparece como uma mudan&#231;a de appraisal: o mesmo objeto cultural passa a ser avaliado com mais relev&#226;ncia, valor e proximidade. A emo&#231;&#227;o n&#227;o est&#225; apenas na obra, mas no la&#231;o que ela permite tecer entre indiv&#237;duos dispersos.</p><p>Ser brasileiro e ser latino, nessas horas, deixam de ser categorias geogr&#225;ficas e tornam-se experi&#234;ncias partilhadas. A latinidade, t&#227;o diversa e por vezes fragmentada, ganha uma narrativa de pot&#234;ncia comum: ritmo, mistura, inven&#231;&#227;o sob press&#227;o hist&#243;rica. N&#227;o &#233; coincid&#234;ncia que a m&#250;sica lidere esse processo. O som atravessa fronteiras sem pedir passaporte e cria comunidades afetivas tempor&#225;rias, mas intensas. Uma can&#231;&#227;o pode funcionar como uma pra&#231;a p&#250;blica port&#225;til.</p><p>Tamb&#233;m h&#225; uma dimens&#227;o pol&#237;tica do pertencimento. Em contextos de tens&#227;o global sobre diversidade, imigra&#231;&#227;o e fronteiras, afirmar orgulho de origem torna-se um gesto de afirma&#231;&#227;o simb&#243;lica. N&#227;o &#233; apenas &#8220;gostar de onde se veio&#8221;, mas defender a legitimidade de existir como se &#233;. O orgulho, ent&#227;o, opera como resposta &#224; amea&#231;a de invisibilidade.</p><p>Mas por que esse sentimento n&#227;o permanece aceso o tempo todo? Porque pertencimento depende de reconhecimento, e reconhecimento &#233; relacional. Precisamos de sinais, de rituais, de narrativas compartilhadas que renovem o v&#237;nculo. Sem esses marcadores, a identidade se dilui no cotidiano. Com eles, ganha contorno, textura, calor.</p><p>Talvez a pergunta n&#227;o seja apenas por que valorizamos o pertencimento em certas situa&#231;&#245;es, mas o que essas situa&#231;&#245;es nos permitem experimentar: a rara sensa&#231;&#227;o de que nossa hist&#243;ria individual cabe dentro de uma hist&#243;ria maior, e que essa hist&#243;ria, por um instante, &#233; celebrada em voz alta.</p><p>No fundo, pertencimento &#233; menos um endere&#231;o fixo e mais um acontecimento. Ele acontece quando a cultura nos chama pelo nome e, por alguns momentos, respondemos em coro.&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando viramos pais dos nossos pais]]></title><description><![CDATA[Talvez nunca estejamos preparados.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/quando-viramos-pais-dos-nossos-pais</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/quando-viramos-pais-dos-nossos-pais</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Feb 2026 19:30:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Talvez nunca estejamos preparados. Mesmo quando sabemos que vai acontecer, mesmo quando nada ali &#233; exatamente inesperado. Em algum ponto da vida, muitos de n&#243;s nos vemos ocupando um lugar curioso e desconcertante: passamos a ser pais dos nossos pr&#243;prios pais.</p><p>&#192; primeira vista, isso n&#227;o deveria nos abalar tanto. Afinal, cuidar faz parte da vida. J&#225; cuidamos ou cuidamos dos nossos filhos. Ent&#227;o por que d&#243;i? Por que cansa? Por que irrita? A resposta n&#227;o est&#225; apenas na rotina pesada ou na sobrecarga pr&#225;tica. Ela mora em um territ&#243;rio mais silencioso: o da nossa hist&#243;ria ps&#237;quica.</p><p>Quando nossos pais envelhecem, algo se rompe dentro de n&#243;s. N&#227;o &#233; s&#243; o corpo deles que muda. &#201; a imagem que sustentava nossa pr&#243;pria sensa&#231;&#227;o de seguran&#231;a no mundo. Aqueles que foram her&#243;is, refer&#234;ncias, autoridades ou at&#233; aus&#234;ncias marcantes come&#231;am a falhar, a esquecer, a depender. E isso nos confronta com uma perda simb&#243;lica profunda: a perda daquele olhar que nos confirmou quem &#233;ramos, daquela palavra que nos orientava, mesmo quando discord&#225;vamos dela.</p><p>Por isso a impaci&#234;ncia aparece. A teimosia deles nos irrita porque nos lembra da nossa pr&#243;pria fragilidade. A dificuldade com a tecnologia incomoda porque espelha o medo de tamb&#233;m ficarmos para tr&#225;s. As limita&#231;&#245;es f&#237;sicas doem porque anunciam, sem pedir licen&#231;a, o tempo passando para todos. Eles parecem adolescentes e, de repente, crian&#231;as. Uma esp&#233;cie de Benjamin Button emocional que n&#227;o queremos encontrar, porque esse papel n&#227;o estava previsto no roteiro interno que constru&#237;mos ao longo da vida.</p><p>Existe tamb&#233;m algo pouco admitido: a raiva. Raiva de perder. Raiva de perceber que aquilo que j&#225; tivemos agora escapa. Raiva de ver que nossas refer&#234;ncias v&#227;o se tornando mem&#243;ria, mais do que presen&#231;a no cotidiano. Essa raiva n&#227;o nos faz pessoas ruins. Ela fala do desamparo diante da finitude, da dificuldade de aceitar que ningu&#233;m permanece inteiro para sempre.</p><p>Muito se fala hoje da chamada &#8220;gera&#231;&#227;o sandu&#237;che&#8221;, espremida entre cuidar dos filhos e dos pais. A sobrecarga &#233; real, mas o peso maior nem sempre est&#225; nas tarefas. Est&#225; no sentimento de abandono que n&#227;o vem de algu&#233;m espec&#237;fico, mas da pr&#243;pria vida. Um abandono esperado, natural, e ainda assim nunca desejado.</p><p>Talvez o desafio esteja justamente a&#237;: aprender a lidar com a frustra&#231;&#227;o sem endurecer. Reconhecer nossos limites, nossas falhas, nossa impaci&#234;ncia, e ainda assim tentar oferecer carinho. Tornar-nos, mesmo que por instantes, os her&#243;is daqueles que um dia foram os nossos. N&#227;o para ocupar o mesmo lugar, mas para sustentar o v&#237;nculo de outra forma.</p><p>Porque, gostemos ou n&#227;o, nosso dia de Benjamin tamb&#233;m chegar&#225;. E, no fundo, o que desejamos &#233; simples: que aqueles que formamos consigam nos atravessar com respeito, cuidado e afeto. Talvez n&#227;o exista preparo total. Mas existe a possibilidade de atravessar esse tempo com mais consci&#234;ncia, menos culpa e um pouco mais de humanidade.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando ir ao Planeta vira passagem]]></title><description><![CDATA[Para muitos adolescentes ga&#250;chos (inclusive minha filha) ir a um festival como o Planeta Atl&#226;ntida &#233; quase um cap&#237;tulo obrigat&#243;rio da juventude.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/quando-ir-ao-planeta-vira-passagem</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/quando-ir-ao-planeta-vira-passagem</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 30 Jan 2026 18:21:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Para muitos adolescentes ga&#250;chos (inclusive minha filha) ir a um festival como o <strong>Planeta Atl&#226;ntida</strong> &#233; quase um cap&#237;tulo obrigat&#243;rio da juventude. N&#227;o aparece em nenhum manual, mas todo mundo sabe: tem um momento certo da vida em que se vai. Antes, existe a expectativa; depois, a mem&#243;ria. No meio, o rito acontece. </p><p>Esse tipo de festival funciona como um rito de passagem n&#227;o-oficial, mas socialmente reconhecido. &#201; quando o adolescente deixa de ser apenas espectador da vida adulta e passa a experiment&#225;-la em pequena escala. Viajar com amigos, combinar hor&#225;rios, enfrentar filas, lidar com o cansa&#231;o, tomar decis&#245;es sem a media&#231;&#227;o constante da fam&#237;lia. Tudo isso carrega um valor simb&#243;lico enorme. N&#227;o &#233; s&#243; divers&#227;o, &#233; aprendizado social.</p><p>O pertencimento &#233; central nesse processo. No Rio Grande do Sul, especialmente no litoral, o Planeta Atl&#226;ntida ocupa um lugar quase m&#237;tico no imagin&#225;rio jovem. &#8220;Todo mundo vai&#8221;, &#8220;todo mundo foi&#8221; ou &#8220;todo mundo quer ir&#8221;. Estar presente significa fazer parte de uma gera&#231;&#227;o, de uma hist&#243;ria compartilhada. Ficar de fora, muitas vezes, &#233; sentir que se perdeu algo importante daquele tempo da vida.</p><p>Ao mesmo tempo, o festival &#233; um palco intenso de constru&#231;&#227;o da identidade. As escolhas n&#227;o s&#227;o neutras: a roupa, o estilo, a m&#250;sica preferida, o grupo com quem se anda. Tudo comunica algo. E nada disso &#233; feito sozinho. O adolescente se observa nos outros, se compara, se ajusta. Quer se diferenciar, mas n&#227;o demais. Quer ser &#250;nico, mas reconhecido. O festival vira um grande espelho coletivo.</p><p>A compara&#231;&#227;o social acontece o tempo todo, antes, durante e depois. Antes, na expectativa. Durante, na experi&#234;ncia vivida. Depois, na forma como tudo &#233; lembrado e compartilhado. Quem foi em qual edi&#231;&#227;o, quem viu tal show, quem estava mais perto do palco. Essas compara&#231;&#245;es ajudam a dar sentido &#224; experi&#234;ncia e a posicionar cada um dentro do grupo.</p><p>Existe tamb&#233;m uma forte influ&#234;ncia dos coletivos nas escolhas. Muitos adolescentes v&#227;o ao festival n&#227;o apenas porque gostam das atra&#231;&#245;es, mas porque aquele &#233; o lugar onde se deve estar naquele momento da vida. A sensa&#231;&#227;o de liberdade convive com regras invis&#237;veis: como se comportar, o que postar, o que valorizar, qual &#233; o &#8220;look&#8221; adequado. Seguir essas normas &#233; uma forma de garantir aceita&#231;&#227;o e evitar o desconforto de se sentir deslocado.</p><p>A experi&#234;ncia emocional &#233; intensa e compartilhada. Cantar junto com milhares de pessoas, sentir o corpo vibrar com o som, se emocionar ao lado de amigos cria uma sensa&#231;&#227;o poderosa de conex&#227;o. &#201; emo&#231;&#227;o validada pelo grupo. At&#233; o cansa&#231;o, o sol forte e as pequenas frustra&#231;&#245;es ganham outro significado depois. Tudo vira parte da hist&#243;ria, da aventura, da lembran&#231;a boa.</p><p>E &#233; a&#237; que entra a marca&#231;&#227;o temporal. O Planeta Atl&#226;ntida n&#227;o &#233; lembrado apenas como &#8220;um festival&#8221;, mas como um marcador de &#233;poca. &#8220;Naquele ver&#227;o&#8221;, &#8220;naquela fase da vida&#8221;, &#8220;quando a gente ia ao Planeta&#8221;. Ele ajuda a organizar a mem&#243;ria e a biografia. Divide o tempo em antes e depois, funcionando como um ponto fixo em meio &#224;s transforma&#231;&#245;es da adolesc&#234;ncia.</p><p>No fim das contas, o festival &#233; menos sobre m&#250;sica e mais sobre se tornar algu&#233;m em rela&#231;&#227;o aos outros. &#201; um espa&#231;o onde o adolescente ga&#250;cho aprende, sente, se compara, se afirma e pertence. Um ritual coletivo que marca o tempo, constr&#243;i identidade e deixa rastros que seguem ecoando muito depois do &#250;ltimo acorde.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Férias, Design Emocional e a Estranha Obrigação de Ser Feliz]]></title><description><![CDATA[As f&#233;rias sempre foram vendidas como um tempo de descanso.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/ferias-design-emocional-e-a-estranha-44a</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/ferias-design-emocional-e-a-estranha-44a</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Fri, 30 Jan 2026 18:13:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As f&#233;rias sempre foram vendidas como um tempo de descanso. Mas, na pr&#225;tica, elas se tornaram algo bem mais complexo. Hoje, f&#233;rias s&#227;o planejadas, fotografadas, compartilhadas e, muitas vezes, avaliadas como um sucesso ou um fracasso emocional. &#201; aqui que o design emocional entra em cena.</p><p>O design emocional n&#227;o projeta apenas objetos ou servi&#231;os. Ele projeta sensa&#231;&#245;es, expectativas e v&#237;nculos afetivos. Quando pensamos em f&#233;rias, isso fica evidente. N&#227;o se trata apenas de viajar ou parar de trabalhar, mas de sentir algo espec&#237;fico: leveza, alegria, liberdade, plenitude.</p><p>O problema come&#231;a quando essas emo&#231;&#245;es passam a ser esperadas.</p><p>Na sociedade de consumo, o descanso virou performance. H&#225; um roteiro invis&#237;vel que diz como devemos aproveitar as f&#233;rias: descansar sem ficar entediado, viajar sem se cansar, divertir-se sem perder tempo. O design ajuda a construir esse roteiro, oferecendo experi&#234;ncias prontas, ambientes perfeitos e solu&#231;&#245;es que prometem eliminar qualquer desconforto.</p><p>S&#243; que o desconforto faz parte da experi&#234;ncia humana.</p><p>Do ponto de vista emocional, as f&#233;rias tamb&#233;m s&#227;o um momento em que a rotina se rompe. Sem hor&#225;rios fixos, sem metas claras, muitas pessoas se deparam com algo inesperado: o vazio. E o vazio costuma ser tratado como um erro de projeto, quando talvez seja apenas um espa&#231;o n&#227;o preenchido.</p><p>O design emocional, quando reduzido a provocar sensa&#231;&#245;es positivas imediatas, corre o risco de refor&#231;ar a l&#243;gica da felicidade obrigat&#243;ria. Aquela sensa&#231;&#227;o estranha de voltar das f&#233;rias cansado, frustrado ou com a impress&#227;o de que &#8220;n&#227;o aproveitou direito&#8221; n&#227;o &#233; um fracasso individual. &#201; um sintoma de uma cultura que transforma at&#233; o descanso em tarefa.</p><p>Talvez seja hora de pensar em outro tipo de design para as f&#233;rias. Um design que aceite o t&#233;dio, o sil&#234;ncio e a imperfei&#231;&#227;o. Que n&#227;o prometa experi&#234;ncias transformadoras, mas crie condi&#231;&#245;es para que cada pessoa viva o tempo livre de forma singular.</p><p>No fim das contas, f&#233;rias n&#227;o precisam ser extraordin&#225;rias. Talvez elas precisem apenas ser menos projetadas e mais habit&#225;veis</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Férias, Design Emocional e a Estranha Obrigação de Ser Feliz]]></title><description><![CDATA[As f&#233;rias sempre foram vendidas como um tempo de descanso.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/ferias-design-emocional-e-a-estranha</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/ferias-design-emocional-e-a-estranha</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Tue, 27 Jan 2026 21:44:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As f&#233;rias sempre foram vendidas como um tempo de descanso. Mas, na pr&#225;tica, elas se tornaram algo bem mais complexo. Hoje, f&#233;rias s&#227;o planejadas, fotografadas, compartilhadas e, muitas vezes, avaliadas como um sucesso ou um fracasso emocional. &#201; aqui que o design emocional entra em cena.</p><p>O design emocional n&#227;o projeta apenas objetos ou servi&#231;os. Ele projeta sensa&#231;&#245;es, expectativas e v&#237;nculos afetivos. Quando pensamos em f&#233;rias, isso fica evidente. N&#227;o se trata apenas de viajar ou parar de trabalhar, mas de sentir algo espec&#237;fico: leveza, alegria, liberdade, plenitude.</p><p>O problema come&#231;a quando essas emo&#231;&#245;es passam a ser esperadas.</p><p>Na sociedade de consumo, o descanso virou performance. H&#225; um roteiro invis&#237;vel que diz como devemos aproveitar as f&#233;rias: descansar sem ficar entediado, viajar sem se cansar, divertir-se sem perder tempo. O design ajuda a construir esse roteiro, oferecendo experi&#234;ncias prontas, ambientes perfeitos e solu&#231;&#245;es que prometem eliminar qualquer desconforto.</p><p>S&#243; que o desconforto faz parte da experi&#234;ncia humana.</p><p>Do ponto de vista emocional, as f&#233;rias tamb&#233;m s&#227;o um momento em que a rotina se rompe. Sem hor&#225;rios fixos, sem metas claras, muitas pessoas se deparam com algo inesperado: o vazio. E o vazio costuma ser tratado como um erro de projeto, quando talvez seja apenas um espa&#231;o n&#227;o preenchido.</p><p>O design emocional, quando reduzido a provocar sensa&#231;&#245;es positivas imediatas, corre o risco de refor&#231;ar a l&#243;gica da felicidade obrigat&#243;ria. Aquela sensa&#231;&#227;o estranha de voltar das f&#233;rias cansado, frustrado ou com a impress&#227;o de que &#8220;n&#227;o aproveitou direito&#8221; n&#227;o &#233; um fracasso individual. &#201; um sintoma de uma cultura que transforma at&#233; o descanso em tarefa.</p><p>Talvez seja hora de pensar em outro tipo de design para as f&#233;rias. Um design que aceite o t&#233;dio, o sil&#234;ncio e a imperfei&#231;&#227;o. Que n&#227;o prometa experi&#234;ncias transformadoras, mas crie condi&#231;&#245;es para que cada pessoa viva o tempo livre de forma singular.</p><p>No fim das contas, f&#233;rias n&#227;o precisam ser extraordin&#225;rias. Talvez elas precisem apenas ser menos projetadas e mais habit&#225;veis</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Memórias]]></title><description><![CDATA[Mant&#234;-las exige esfor&#231;o]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/memorias</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/memorias</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 07 Jan 2026 21:57:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/subscribe?"><span>Subscribe now</span></a></p><h2>Por que escrever aqui?</h2><p>Final de ano, al&#233;m da press&#227;o enlouquecida pelo consumo e black dates que s&#227;o criadas e estimuladas por toda parte, vem com momentos de reflex&#227;o sobre o tempo. Como o utilizamos, o que fizemos e deixamos de fazer. Como ser&#225; o futuro. &#201; estranho pensar que nos condicionamos culturalmente em acreditar que a troca de uma data daria inicio ao um novo ciclo, repleto de expectativas e esperan&#231;as de um tempo melhor. Metas, resolu&#231;&#245;es, promessas que passam a valer a partir do minuto 0:01 do novo ano. </p><p>Ao mesmo tempo, podemos exercer a reflex&#227;o sobre o que passou e que guardamos. Construimos mem&#243;rias constantemente, mas n&#227;o temos tempo para organiza-las e refletir sobre elas. Eu fiz um pequeno exercicio digital de organizar arquivos e fotos no celular e computador na folga de final de ano. Me surpreendi com experimentamos tantas coisas e n&#227;o nos damos conta, desde as mais simples at&#233; grandes realiza&#231;&#245;es que nos compoe como indiv&#237;duos. </p><p>Prestes a completar 30 anos de atividade na institui&#231;&#227;o que trabalho, resolvi dar forma a um ba&#250; de atividades que realizei como professor e pesquisador. Os mais pragm&#225;ticos poderiam dizer que n&#227;o faz sentido ter um site pessoal na internet com esse tipo de material. Quem teria interesse em ler? Um aluno interessado? Um desavisado que, por ventura, possa cair naquela pagina em uma busca aleat&#243;ria via Google ou alguma IA do momento? Diriam que &#8220;as pessoas tem muita pressa para buscar algo em um blog ou site, preferem um video ou corte dele em uma rede social acelerada&#8221;. Quis organizar minha mem&#243;ria, mesmo que seja para um &#250;nico leitor (mesmo que esse seja eu). Talvez seja o medo de perder a capacidade de lembrar que tenha me motivado a isso. Os sinais do passado desaparecem com facilidade em tempos liquidos e hipermodernos. Queria simplesmente parar toda a correria e contemplar a trajetoria ja percorrida. N&#227;o &#233; o descr&#233;dito ou a desesperan&#231;a sobre o futuro que me move. Pelo contr&#225;rio. &#201; a necessidade de compreender o que nos formou ao longo do tempo e como organizamos essa hist&#243;ria que exige que tratemos melhor das nossas mem&#243;rias. Para entendermos que somos.  </p><p></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading Substack de Filipe! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Em breve]]></title><description><![CDATA[Este &#233; o Substack de Filipe.]]></description><link>https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/coming-soon</link><guid isPermaLink="false">https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/p/coming-soon</guid><dc:creator><![CDATA[Filipe Campelo Xavier da Costa]]></dc:creator><pubDate>Wed, 07 Jan 2026 21:35:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Zum!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6f2b5ede-abaf-4f87-91af-935a2c8ef100_96x96.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Este &#233; o Substack de Filipe.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://filipecampeloxavierdacosta.substack.com/subscribe?"><span>Subscreva agora</span></a></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>